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BLOGS » Mundo LGBT por Marcelo Nascimento

Projeto que criminaliza a homofobia pode voltar à estaca zero

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Por Hélio Filho  - Mixbrasil


Relatora do Projeto de Lei Complementar que criminaliza a homofobia no Brasil, o 122/2006, a senadora Fátima Cleide (PT-RO) admitiu em entrevista na semana passada ao jornal Estadão que a votação do projeto pode ser desfavorável aos gays se entrar em pauta em seu texto atual do projeto. Ela pretende apresentar modificações no projeto que alterem alguns pontos que atravancam o apoio de parlamentares à ideia.

"Estou disposta a apresentar substitutivo. É o único caminho para incriminar a homofobia", declarou na entrevista. Essa substituição se daria em pontos considerados polêmicos, como a proibição da manifestação de líderes religiosos. "O projeto pune manifestações de pastores e padres que causem constrangimento e humilhação. Mas pensamos em excluir esse tema. Já há um certo acordo."

O PLC 122/06 tramitou cinco anos na Câmara Federal até ser aprovado, seguindo para a análise do Senado. No total, já são oito anos de discussão no Congresso sem nenhuma decisão efetiva. Caso a senadora leve a ideia para frente, o novo texto precisa ser novamente analisado pelas comissões da Câmara e aprovado em plenário.

Mas esse impasse não está sendo considerado um retrocesso. O movimento militante vê a iniciativa de aprimorar o texto como um amadurecimento, afinal, os próprios parlamentares que hoje votariam contra (em sua maioria fundamentalistas religiosos) já se posicionaram a favor de um texto que não proíba as manifestações religiosas. É como se finalmente tivessem encontrado um caminho do meio entre a religião e os direitos LGBT.

Postado em: 01/06/09 19:48    [ 0 comentários ] [ indique esta mensagem ]

Travestis e transexuais elegem nova diretoria de Ong nacional


A Articulação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) através da sua diretoria veio a público infromar aos seus parceiros, colaboradores e afiliadas que em assembléia ordinária realizada no dia 20 de maio de 2009 em nas dependências do Hotel Real Palace em Teresina, Piauí eleição da nova diretoria que compreenderá o biênio 2009/2011.
A primeira pauta foi a de filiações onde foram solicitados treze novos pedidos de filiação fazendo um total de 65 instituições afiliadas.

O processo de eleição se deu por escolha individual, não houve bate chapa, a executiva anterior colocava os cargos e as pessoas se apresentavam ao mesmo, seguido da indicação de votos, ao que parece foi um processo tranqüilo e democrático. “Não houve confusão e tudo transcorreu na maior maturidade” disse Keila Simpson. “Foi um momento importante para as instituições que compõem a ANTRA, pois de uma maneira democrática se deu às discussões e as intenções de compor a nova diretoria pelas suas afiliadas” declarou Keila Simpson da Associação de Travestis de Salvador que deixou o cargo de presente da Associação Nacional para se dedicar mais as atividades locais de sua organização de base em Salvador.

A empossada presidente da ANTRA a ativista travesti Jeovana Baby, fundadora da Ong Astral no Rio de Janeiro, agora militando na cidade de Picos no Piauí, assume com grande desafio pela frente. Um deles é democratizar ainda mais as ações da Associação bem como sensibilizar participação de transexuais de masculinos para o processo de discussão dessa categoria junto ao movimento em geral.

Do Nordeste quatro lideranças foram empossadas para o novo exercício da ANTRA, são elas; Cluadia Ramos do Licoria Ilione de Simões Filhos Bahia, Gesika Taylor da Ong UNIDAS de Sergipe, Milena Passos da Atrás de Salvador foi eleita para ocupar o cargo de Segunda Secretaria e Tatianne Araújo da Ong Astra de Sergipe assumiu a pasta da recém criada Secretaria de Articulação Política.

O movimento cresceu e algumas mudanças foram feitas para dar mais agilidade às ações da entidade no âmbito nacional. Acabou-se com as representações regionais e foram criadas Secretaria de Comunicação, Articulação Política, Direitos Humanos, Homens e Mulheres Transexuais. A Secretaria de Homens Transexuais acabou por ficar vacante devido eles terem chegado após o processo de eleição. A ex-presidente da Antra Keila Simpson informou por telefone que os homens irão encontrar um momento deles para discutir e fazer a indicação do seu representante na executiva da Associação. “Estamos aguardando essa indicação, qeu agente entende ser legitima” disse Keila Simpson que continua no Piauí com as demais associadas fazendo o planejamento estratégico da entidade para os próximos três anos. (MARCELO CERQUEIRA, com informações da ANTRA).

Veja como ficou a nova diretoria da ANTRA

Presidente – Jovanna Baby Picos PI
Vice Presidente – Majorie Marchi ASTRA Rio RJ
1 Secretaria – Sadessa Vieira ATNH/RS
2 Secretaria – Millena Passos – ATRAS Salvador BA
1 Tesoureira – Kelly Vieira ADEH Nostro Mundo SC
2 Tesoureira – Paula GASP/DST MA
Secretaria de Mulheres Trans – Rafaelly Weist PR
Secretaria de Homens Transexuais – Vacante
Secretaria de Direitos Humanos – Cláudia Ramos GLI BA
Secretaria de Articulação Política – Tatianne Araújo ASTRA SE
Secretaria de Comunicação – Liza Minelly GE PR
Conselheiros Fiscais
Weluma Brown ASTRA Rio RJ
Isabela Bueno AGTEAP AP
Jessica Taylor UNIDAS SE

 

Postado em: 26/05/09 14:19    [ 0 comentários ] [ indique esta mensagem ]

ILGA publica o relatório de 2009 sobre a homofobia do Estado em todo o mundo

Em todo o mundo, oitenta países consideram a homossexualidade ilegal, e dentre eles, cinco punem os atos homossexuais com a morte.

A Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexo- ILGA- publica a terceira edição do seu relatório sobre a Homofobia do Estado, baseado em pesquisa desenvolvida por Daniel Otosson. O relatório é uma compilação de leis que criminalizam as relações consensuais mantidas no espaço privado entre pessoas do mesmo sexo acima da idade do consentimento*.

O Panamá descriminalizou a homossexualidade em 2008, e no ano seguinte, o Burundi passou a considerar os atos homossexuais como crimes. Com isso, atualmente, 80 oitenta países possuem leis homofóbicas; 72 países e 3 entidades (a República Turca de Chipre do Norte, a Faixa de Gaza e as Ilhas Cook) punem as relações sexuais consensuais entre adultos do mesmo sexo com a prisão, enquanto 5 países (Irã, Mauritânia, Arábia Saudita, Sudão, Iêmen e partes da Nigéria e da Somália) punem a homossexualidade com a pena de morte.

Gloria Careaga, co-secretária geral da ILGA:

Homofobia é o medo de, a aversão a, ou a discriminação contra a homossexualidade ou os homossexuais. É o ódio, a hostilidade ou a desaprovação das pessoas homossexuais. Aterradora e perigosa, e eventualmente, mortal, ela transforma a vida de lésbicas, gays, bissexuais, pessoas trans ou intersexo em um tormento, frequentemente levando-os a um profundo sentimento de insegurança, mesmo em seu ambiente familiar. A homofobia é ainda mais estarrecedora e perigosa – e, mais uma vez, letal, quando encontradas no próprio texto legal. Quando a discriminação e o ódio estão legitimados nos textos que sancionam o pacto social personificado por um Estado, o homossexual sabe que não há aonde buscar socorro. A idéia de um Estado que tolera, sanciona e encoraja essas práticas, particularmente quando esse mesmo Estado proclama que respeita os princípios da Declaração dos Direitos Humanos, é inaceitável”.

Renato Sabbadini, Co-Secretário Geral da ILGA:

“A verdade é que enquanto as diferenças de orientação sexual e identidade ou expressão de gênero são provavelmente inatas – quem seria louco a ponto de ser lésbica em um país extremamente homofóbico? – o mesmo não pode ser dito da homofobia que, em geral, é o produto de uma época e contexto histórico específicos, sempre marcados por uma forte desigualdade entre homens e mulheres. De fato, na essência da homofobia, da lesbofobia e da transfobia está a crença de que homens e mulheres não devem ser iguais, devem desempenhar papéis incompatíveis entre si e devem permanecer presos numa hierarquia em que os primeiros dominam os últimos.”

Em um discurso feito em Nova York no dia 18 de Dezembro de 2008, por ocasião da declaração das Nações Unidas contrária à criminalização da homossexualidade, e assinada por 66 países dos cinco continentes, a Alta Comissária das Nações para os Direitos Humanos, Ms Navanethem Pillay afirmou que “ há aqueles que argumentam que pelo fato da orientação sexual e a identidade de gênero não serem mencionadas de modo explicito em nenhuma das convenções e acordos, que não haveria qualquer proteção legal para a iniciativa. Minha resposta é que essa posição é legalmente indefensável, o que é confirmado pela evolução na jurisprudência. O princípio da universalidade não admite exceção. Os direitos humanos dizem respeito a todas as pessoas”.

Com este relatório, a ILGA, uma rede internacional de grupos locais e nacionais, com mais de 700 organizações-membro de todos os continentes e representando 110 países, dedicada à busca pela igualdade de direitos de lésbicas, gays, bissexuais, pessoas trans e intersexo, deseja apontar e condenar os Estados que, no final da primeira década do século 21, ainda tratam seus cidadãos LGBTI como pessoas sem valor, indignas de consideração. A ausência de valor é única e exclusivamente desses estados, sendo deles também a vergonha de negar dignidade, respeito e o gozo da igualdade de direitos a uma parcela significativa de seus cidadãos.

* As leis relativas à pratica desses atos em público, com menores de idade, pelo uso da força ou qualquer outro motivo, não estão incluídas. Também não estão incluídos os países em que tais atos são legais

A ILGA - Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexo - é uma rede internacional de grupos locais e nacionais, dedicada à conquista de direitos iguais para lésbicas, gays, bissexuais, pessoas trans e intersexo em todo o mundo. Fundada em 1978, reúne atualmente mais de 700 organizações-membro. Todos os continentes e cerca de 110 países estão representados. Até o momento, a ILGA é a única associação não–governamental internacional dedicada a combater, no âmbito global, a discriminação baseada na orientação sexual ou identidade de gênero.

www.ilga.org

Para mais informações sobe a Homofobia de Estado e as leis que afetam as pessoas LGBTI, as atividades da ILGA pelo mundo e nas Nações Unidas, favor contatar :

Stephen Barris / ILGA : 00 32 2 502 24 71

http://www.ilga.org/statehomophobia/Homofobia_do_Estado_ILGA_2009.pdf

Postado em: 18/05/09 11:53    [ 0 comentários ] [ indique esta mensagem ]

Ministro Vannuchi lança Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT


A Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República lança o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, nesta quinta-feira (14), no Palácio do Itamaraty, em Brasília, com a presença do ministro Paulo Vannuchi. O documento contém as 50 diretrizes e ações necessárias, a serem implementadas pelo poder público, para garantir igualdade de direitos e exercício pleno da cidadania do segmento LGBT da população brasileira. De acordo com Léo Mendes, Secretario de Comunicaçao da ABGLT, cerca de 60 LGBT de todos estados do Brasil, ligados à Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais - ABGLT , "será um novo marco regulatório na garantia dos direitos de 20 milhões de brasileiros nas políticas públicas federais .

 

Iniciativa inédita no mundo, o Plano nasceu das propostas apresentadas na 1° Conferência Nacional LGBT, convocada a partir de um decreto do presidente Lula, ocorrida em junho de 2008, e foi elaborado por uma Comissão Técnica Interministerial, formada por representantes de 12 pastas. É resultado dos esforços conjuntos de governo federal e sociedade civil.

 

“Com o lançamento do Plano, o Brasil se torna o primeiro país do mundo a possuir um documento nestes moldes”, observao ministro Vannuchi. Segundo ele, o País dá mais um passo importante rumo ao fortalecimento do Programa Brasil sem Homofobia, implantado em 2004, na Secretaria Especial dos Direitos Humanos.

 

O ministro conta que, entre as propostas, estão contempladas reivindicações históricas do movimento LGBT organizado, que devem se tornar políticas de Estado em curto (2009) e médio prazo (2010 e 2011). Ele cita como exemplos: o reconhecimento dos direitos civis de casais homossexuais, equiparando-os aos direitos já garantidos aos heterossexuais; o fim da perseguição e criminalização de militares homossexuais; a produção de material didático sobre os temas que envolvem a questão para orientar professores; a articulação de uma rede nacional de combate à homofobia, lesbofobia e transfobia; o estímulo ao turismo LGBT e o encaminhamento de mulheres transexuais e travestis condenadas para presídios femininos.

 

Lançamento do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais
Quando: Quinta-feira, 14 de maio, às 15 horas
Onde: Palácio do Itamaraty, Esplanada dos Ministérios, Bloco H, Brasília, DF

 

 

Postado em: 14/05/09 14:48    [ 0 comentários ] [ indique esta mensagem ]

Oficina de Capacitação em Projetos Culturais LGBT

 

Entre os 15 a 17 de maio será realizado em João Pessoa, Paraíba, uma oficina de capacitação em elaboração de projetos culturais dirigido aos grupos LGBT, artistas e produtores culturais da região Nordeste, onde serão trabalhados temas como os processos de criação e formatação de Projetos Culturais e compreensão de processos jurídicos e administrativos relativos às Leis de Incentivo à Cultura, como a Rouanet.

Esta é uma iniciativa da ABGLT – Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, em parceria com a ANTRA – Articulação Nacional de Travestis e Transexuais e com a ABL – Articulação Brasileira de Lésbicas, executada pelo Grupo SOMOS - Comunicação, Saúde e Sexualidade, com financiamento do Ministério da Cultura, e faz parte de um projeto nacional de CAPACITAÇÃO EM PROJETOS CULTURAIS LGBT. As oficinas serão ministradas pelas produtoras culturais Dedé Ribeiro e Luiza Pires, ambas de Porto Alegre.

Esta é a segunda edição da capacitação. A primeira foi realizada em Porto Alegre. Nesta etapa o evento é realizado em parceria com a ASTRAPA – Associação das Travestis da Paraíba. Na ocasião participarão lideranças, artistas e profissionais da Cultura LGBT dos estados do Ceará, Bahia, Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte, Sergipe, Piauí e Paraíba.

Desta forma, cada grupo capacitado funcionará como um pólo multiplicador para difusão do aprendizado a outros grupos de sua região.

 

Postado em: 12/05/09 13:46    [ 0 comentários ] [ indique esta mensagem ]

Campanha de outdoor homenageia mães Lésbicas em Pernambuco

 

 O desenho de um casal de mães Lésbicas e suas duas filhas é o destaque do outdoor da campanha que homenageia as mães Lésbicas lançado esta semana em Pernambuco por três organizações de defesa dos direitos dos Homossexuais, o Núcleo de Cidadania Homossexual da UFPE, NUCH em parceria com o Grupo Luas (Liberade, União, Afetivo-Sexual das Mulheres Lésbicas e Bissexuais) e o Movimento Gay Leões do Norte.

 

Além de retratar uma família formada por mães Lésbicas, o outdoor traz uma frase que é a fala de uma das filhas do casal. A menina diz: "tenho duas mães e muito amor por elas!."

 

"A partir do momento que nós mostramos essa família de mães Lésbicas, nós estamos estimulando o respeito amplo aos casais Homossexuais" explica o integrante do NUCH e vice-presidente do Leões do Norte, Luciano Freitas.

 

A campanha foi publicada em dois outdoors. Eles estão em duas das principais avenidas do Recife. Um deles fica na avenida Conde da Boa Vista e outro na avenida Caxangá.

 

Pela Caxangá passam por dia, segundo os dados da Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU), 54 mil veículos, entre ônibus e carros de passeio.

 

Pela Conde da Boa Vista, passam diariamente 664 ônibus segundo os cálculos do Grande Recife Consórcio, que administra as linhas.

 

A campanha acontece durante todo o mês de maio e, além dos outdoors, serão distribuídos fôlderes, panfletos e cartazes com a mesma temática.

 

"A campanha é mais um instrumento de luta para o combate à lesbofobia/homofobia, machismo e exclusão social de milhares de famílias que vivem uma invisilidade por contra do preconceito e respeito ao outro. Com ela, abre-se o debate com a sociedade e líderes políticos sobre o tema" diz Ana Carla Lemos, do Grupo Luas.
 

Postado em: 10/05/09 20:33    [ 0 comentários ] [ indique esta mensagem ]

Drauzio Varela diz que travestis precisam de políticas de Saúde


O jornal "Folha de São Paulo" publicou no último sábado, 11, um artigo em que o médico Drauzio Varela fala sobre a realidade vivida por travestis brasileiras. Já de cara, Varela afirma que travestis representam a fatia da população que sofre com a mais pérfida das discriminações sociais. "Se fosse possível juntar os preconceitos manifestados contra negros, índios, pobres, homossexuais e outras minorias da sociedade, a somatória não resvalaria os pés do desprezo virulento que a sociedade manifesta pelos travestis", diz o médico.

Drauzio Varela enfatizou a falta de políticas para travestis no sistema público de Saúde. A falta de endocrinologistas que orientem o uso de hormônios acabam fazendo com que travestis usem as substâncias sem nenhum tipo de acompanhamento.

"Hospitais públicos deveriam ser obrigados a criar pelo menos um posto de atendimento especializado nos problemas médicos mais comuns entre travestis. A Saúde pública não pode continuar dando as costas para essa minoria de homens, só porque eles decidiram adotar a identidade feminina, direito de qualquer um. Quem somos nós para condená-los?", questiona o médico.

Postado em: 14/04/09 16:54    [ 2 comentários ] [ indique esta mensagem ]

Deputados protocolam projeto de lei sobre união estável entre pessoas do mesmo sexo


A ABGLT e a Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT da Câmara dos Deputados protacolaram nesta quarta, 25, o Projeto de Lei número 4914/2009, que trata sobre o reconhecimento legal da união estável entre pessoas do mesmo sexo. É o primeiro passo do projeto no Congresso, que deve agora passar por comissões como a de Constituição e Justiça antes de seguir para votação em plenário.

O texto é um substitutivo ao projeto de lei apresentado pela então deputada Marta Suplicy em 1995 e que até hoje aguarda para ser votado.

De acordo com Beto de Jesus, membro da diretoria da ABGLT, espera-se que o fato de o novo projeto ser apoiado por uma Frente Parlamentar que conta com 247 membros de diversos partidos sirva para que a iniciativa ganhe força e agilidade no processo. "Além disso, a sociedade mudou muito nos últimos anos e está mais receptiva sobre questões LGBTs", avalia Beto.

É importante ressaltar que o projeto de lei não vai resultar na liberação do casamento gay, mas na equiparação de direitos já garantidos a casais héteros em união estável, como pensão e herança. "O projeto quer acabar com a visão de que homossexuais são cidadãos de segunda classe. Temos os mesmos deveres e direitos que qualquer um", frisa Beto de Jesus.

Leia o projeto de lei na íntegra:

Projeto de Lei nº 4.914 de 2009.

 

(Dos Srs. e Sras., Deputado José Genoino; Deputada Raquel Teixeira; Deputada Manuela D’Ávila; Deputada Maria Helena; Deputado Celso Russomanno; Deputado Ivan Valente; Deputado Fernando Gabeira; Deputado Arnaldo Faria de Sá; Deputada Solange Amaral; Deputada Marina Maggessi; Deputado Colbert Martins; Deputado Paulo Rubem)

 

Altera a Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil.

 

O Congresso Nacional decreta:

 

Art. 1º - Esta lei acrescenta disposições à Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil, relativas à união estável de pessoas do mesmo sexo.

 

Art. 2º - Acrescenta o seguinte art. 1.727 A, à Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, Código Civil.

 

“Art. nº 1.727 A - São aplicáveis os artigos anteriores do presente Título, com exceção do artigo 1.726, às relações entre pessoas do mesmo sexo, garantidos os direitos e deveres decorrentes."

 

Art. 3º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

 

Justificação

 

Os relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo, denominados pela jurisprudência de homoafetivos, são uma realidade jurídica que têm contornos cada vez mais nítidos no Brasil.

 

Em vista da ausência de norma legal elaborada pelo Legislativo, o cidadão procura em outro Poder da República – no caso, o Judiciário - a necessária concretização de um dos seus Direitos da Pessoa Humana, ou seja, ter reconhecido o seu direito inalienável a se relacionar afetivamente e que este relacionamento gere efeitos jurídicos próprios, decorrentes de seu reconhecimento legal ou judicial.

 

A ausência de regulamentação do fato social em questão, a União Homoafetiva, induz a uma “fuga” de direitos e deveres que são próprios e característicos dos relacionamentos afetivos como, por exemplo, na conjunção de esforços para a construção do relacionamento, que atualmente não gera obrigações e deveres, muito menos direitos para qualquer dos envolvidos e/ou terceiros.

 

A omissão legislativa gera profunda perplexidade no tecido social, sendo esta cotidianamente resolvida por via Judicial.

 

Países de todos os continentes têm se debruçado na matéria e produzido regulamentações positivas sobre o tema, incluindo nossos vizinhos da América Latina, motivo pelo qual não há mais condições objetivas para que o assunto não seja pautado e votado no Congresso Nacional.

 

A proposta descrita regula os direitos e contempla os deveres e as obrigações mútuas dos que se relacionam homoafetivamente, na base do imperativo constitucional da igualdade e do tratamento isonômico; excetuando o contido no artigo que refere ao casamento (Art. 1726).

 

A presente matéria não contém inconstitucionalidade, nem injuridicidade, pois está apenas normatizando a vasta jurisprudência acumulada nos Tribunais, que têm entendido a aplicação da analogia e da equidade como a melhor forma de preencher o vácuo legal sobre o tema.

 

Não há criação de novo Instituto Legal, sendo reconhecida no ordenamento normativo da mesma forma como já reconhecida no repertório jurisprudencial, sendo tratada como uma União Estável para todos os fins de Direito.

 

A presente proposta legislativa carece de normas regulamentadoras posteriores à aprovação da matéria, posto que esta seja regulada pelas normas já existentes, capituladas no Código Civil e/ou em normas esparsas, de entendimento consolidado e continuado nos Tribunais.


 

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Postado em: 26/03/09 06:11    [ 0 comentários ] [ indique esta mensagem ]

Todo gay já foi chamado de Clodovil




Morreu ontem (17/03) um homem chamado Clodovil. Um brasileiro não muito típico, mas um homem com a cara do Brasil. (A rima não foi proposital). Sua trajetória é grande, mas parece ignorada por nós. Como para a mentalidade tacanha desta enorme província, qualquer homossexual que fizer sucesso será para sempre tão somente um homossexual antes de ser qualquer coisa. É compreensível, então, o desconhecimento da trajetória de Clodovil.

Clodovil era gay e isso não é grande novidade, já que quiçá foi o homossexual mais famoso que esta nação já conheceu, ou talvez conhecerá. Por ser como foi, assumir suas posturas e por sua imagem de pessoa altamente arrogante e grosseira, Clô fez história e deixou seu nome na história da televisão, da moda e da política. Era afeminado, debochado, amargo, irônico e tinha a língua pra lá de afiada. Enfim, uma pintosa. Por isso arrisco dizer: dos mais assumidos aos mais enrustidos, todo gay já foi chamado de Clodovil.

Para a grande massa, Clodovil, antes de ser apresentador, estilista e deputado era isso: um gay. Suas tiradas características, sua risada peculiar e sua voz de quem parecia que tinha um ovo na boca influenciaram gerações e gerações de humoristas - de Casseta e Planeta ao novo amiguinho da Lady Kate - para quem deve ter sido mais fácil compor um personagem gay em cima de uma caricatura. Clodovil, com posições muitas vezes arrogantes e preconceituosas, construía também uma paródia de si mesmo.

Declarações controversas e posições polêmicas marcaram sua vida pública. Com seu grau de exposição e acesso a grande mídia, tinha tudo para ser um grande defensor da bandeira do arco-íris, o que não foi. Para a militância, ele não era dos mais queridos. Por duas vezes, antes de se eleger deputado, recebeu o Troféu Pau de Sebo do Grupo Gay da Bahia. O prêmio é dedicado aos considerados inimigos do Movimento Homossexual Brasileiro.

Clodovil foi polêmico, dividiu opiniões e, hoje, com a tendência de se santificar quem morre, muitos se derramarão de amor ao velho senhor. Seu falecimento veio de maneira súbita, pegando a todos de surpresa. Para hoje, para o próximo domingo e para o ano que vem ele tinha planos. Deve ter tomado gosto pela política, pois pretendia disputar uma cadeira no Senado.

Com tudo o que pode ser dito, uma coisa deve ser ressaltada sobre esta personalidade: era um ser humano, com todas perfeições e imperfeições que isso implica.

 

Texto de William Magalhães - site Acapa

 

Postado em: 18/03/09 07:31    [ 0 comentários ] [ indique esta mensagem ]

Filme sobre o primeiro político gay dos Estados Unidos finalmente chega em Maceió

O filme do diretor Gus Van Sant, "Milk - A Voz da Igualdade", não conta apenas a história do ativista gay Harvey Milk, como também retrata a luta dos homossexuais contra a política de represálias que se formou na década de 70, na cidade de São Francisco (EUA).

Na data de seu aniversário, Harvey (Sean Penn) comemora ao lado de seu novo namorado Scott (James Franco), mas sente-se um pouco frustrado por ter acabado de completar 40 anos e ainda não ter feito nada, em sua percepção, de relevante na vida.

Neste dia, o quarentão ainda não sabia que, dali a algum tempo, seu próximo aniversário seria com uma grande festa no bairro de Castro. Afinal, Harvey Milk se tornaria o primeiro político assumidamente gay de São Francisco.

Tal conquista, não foi tão fácil. Assim como hoje as bancadas religiosas tentam barrar a aprovação do PLC 122 - que criminaliza a homofobia no Brasil - , Harvey, em 1972, lutava pela igualdade de gays e lésbicas, pelo direito de ir e vir, e de pertencer a uma sociedade que, em sua maioria, era formada por conservadores e fundamentalistas que defendiam "a base da união familiar [homem e mulher]" (qualquer semelhança com os dias atuais, não é mera coincidência).

"Pagamos impostos para sermos protegidos e não perseguidos", dizia Milk em um de seus discursos. Nesta época, gays andavam pelas ruas de Castro com apitos pendurados no pescoço ou dentro dos bolsos para caso fossem "repreendidos" pela polícia, terem como se defender 'apitando' por ajuda.

O filme trás ainda a reflexão de que, se hoje homens e mulheres podem caminhar de mãos dadas com uma pessoa do mesmo sexo na rua é porque muitos já sofreram, 'apitaram', e lutaram para que isso fosse possível.

"Milk - A voz da Igualdade" nos mostra que existiu e sempre haverá obstáculos a serem ultrapassados pela comunidade gay. Mas falta, principalmente, alguém que tome a frente, e grite algo parecido com: "meu nome é Harvey Milk, e estou aqui para recrutá-los".
 

Gênero: Biografia, Drama

Elenco: Sean Penn, Emile Hirsch

Onde assistir:    Cine Farol - sessões as 15h20m/18h00m e 20:40m

Periodo: 13 a 19 de março.

Duração:  128 minutos (2 horas e 8 minutos)








 

Postado em: 16/03/09 14:00    [ 0 comentários ] [ indique esta mensagem ]

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