» Atualizado às 12:57
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O aumento considerado abusivo pela população maceioense que depende do transporte coletivo, está obrigando o maceioense a mudar de meio de transporte e quem está faturando com essa decisão é o comércio de bicicletas, um veículo que não precisa de combustível, não polui e está acessível a boa parte da população. Tem sido uma esperança para novas vendas no setor onde todos os comerciantes estão otimistas, com o lucro que já começa a obter no ramo.
Na Praça do Pirulito, onde se concentra o maior comércio do veículo de duas rodas, em apenas dois dias de vigência do aumento, aplicado pelo prefeito Cícero Almeida, as vendas cresceram em aproximadamente 20%, conforme afirmou o comerciante Edson de Oliveira Lima, da loja Ciclo Peças, uma pioneira no ramo. Na feira do Rato, apesar das constantes blitze, a venda de bicicletas foi bastante intensa e a grande procura também foi registrada na Praça Guedes de Miranda.
A estudante e comerciária, Luana Maria da Silva, adquiriu uma bicicleta por R$ 200. "Meus pais já estavam pensando em comprar uma, mas só agora, com esse aumento no preço das passagens, eles resolveram me dar esse presente. Com isso, vou economizar R$ 240 por mês porque eu estudo e trabalho utilizando quatro passagens por dia. Meus pais vão pagar parcelas mensais de R$ 33, durante seis meses, resultando numa economia de pouco mais de R$ 200 por mês, enquanto estiverem pagando-a. Depois é economia total. Agora, já tomei minhas providencias contra roubo e comprei um cadeado. Eu acho que esta cidade vai ser tomada pelas bicicletas", prevê a comerciária.
O negócio é rentável para comerciantes e clientes mas, uma preocupação a mais para a polícia. O delegado de Roubos e Furtos de Veículos, Alcides Andrade, faz um alerta aos ciclistas: "Todos sabem, que o roubo de bicicleta vem aumentando assustadoramente. Agora, torna-se necessário os usuários desses transportes tomarem muito cuidado em relação a roubo e como também procurar não ser imprudentes no trânsito, porque são registrados constantes acidentes. São medidas preventivas que devem ser adotadas por essas pessoas que utilizam bicicleta como meio de transporte. Tomando essas precauções podem circular tranquilamente pela cidade", disse Alcides Andrade.
Cartões de crédito
A bicicleta é encontrada com facilidade. Além das lojas especializadas, as de departamentos também têm muitas marcas à disposição e as facilidades de pagamento estão entre os grandes atrativos. Elas podem ser encontradas a partir de R$ 150, com parcelamento em até 10 vezes, o que deixa o débito mensal uma “mixaria” se comparando com o gasto com ônibus.
"No momento de crise em que vivemos, esse aumento no preço das passagens dos coletivos só veio a incentivar a população a optar por esse meio de transporte. Desde o inicio do ano, quando foi anunciada a majoração, que as vendas melhoraram bastante e a perspectiva daqui pra frente são boas, porque além de economizar, você ainda fica com o veículo e pode ir para onde quiser. A despesa maior é com os pneus que passam cerca de três meses, que é o tempo de uso ideal, antes de chegarem na lona. Além do parcelamento, nós ainda damos descontos, caso o cliente queira pagá-la mais rapidamente", disse o funcionário de um dos shoppings mais visitados da capital.
Menos prejuízo
A movimentação de compra de bicicletas na tradicional (e suspeita) Feira do Rato aumentou consideravelmente. O pedreiro Alfredo Gonçalves do Nascimento foi uma das pessoas que mostravam interesse em adquirir o veículo. "Estou olhando os preços, tem bicicleta até de R$ 30, um preço bom, mas algumas não possuem documentos, então eu não vou comprar, porque corro dois riscos. Um de ser levada pelos ladrões e outro a apreensão pela polícia. Estou escolhendo e só saio daqui com a minha. Sou pedreiro, moro na Santos Pacheco, no bairro do Prado e todos os dias tenho que utilizar quatro passagens, que me levam quase a metade do que ganho. Com a bicicleta, vou ter uma economia muito grande", calculou Alfredo Gonçalves.
"Agora o patrão vai ter que me ajudar e descontar do meu salário a compra da bicicleta. Eu acho, que muita gente vai deixar de viajar de ônibus, porque quem ganha salário mínimo gasta a metade do salário só com passagem de ônibus e fica sem almoçar, porque seriam mais duas passagens. Com a bicicleta, dependendo da distância até o serviço, o trabalhador pode almoçar e descansar só retornando as 14 horas, bem mais tranqüilo para enfrentar o segundo horário do trabalho", avalia José Augusto, da Ciclo Peças.
Já a comerciante Ilda Dias, do Lojão das Bicicletas, está comemorando o sucesso nas vendas em seu estabelecimento, apesar de parcelar no cartão em apenas três vezes. "Nosso sistema atua apenas parcelando em três vezes. Por exemplo uma bicicleta que custa R$ 200,00, cada parcela é de R$ 66.66. Agora, se a compra for à vista vai ter um desconto de 10%. Toda vez é assim. Quando aumentam a passagem dos ônibus a procura melhora", afirmou Ilda Dias.
por Cícero Santana
Fone: (82) 3336.7000