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Polícia

14/12/09 14:13
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Ex-coronel Cavalcante aponta novos acusados de participar de assassinato

Fotos: Isolda Herculano

Depois de prestar depoimento na manhã desta segunda-feira (14), na 7ª Vara Criminal da Capital, o ex-tenente coronel Manoel Francisco Cavalcante, acusado de ser um dos líderes da Gangue Fardada – organização criminosa amparada por alguns militares em Alagoas –, deu uma entrevista coletiva à imprensa, já no começo da tarde, em que afirmou ter partido dele a decisão de voltar ao Estado. O ex-oficial disse ainda que não tem medo de morrer e se sente seguro no presídio Baldomero Cavalcanti, onde está detido desde a última quarta-feira (9).

“Medo eu não tenho porque nunca tive desde que entrei na Polícia Militar. Acho que quando um homem ou uma mulher decide entrar para a PM não deve ter medo”, declarou. Apesar disso, Cavalcante, cuja segurança depende do Estado por conta de ser um apenado, afirmou que não deseja regalias da lei e que está sendo protegido como qualquer outro preso: “A obrigação do Estado é me proteger, a minha prisão compete ao Estado, mas eu não quero privilégios, só quero o que tenho de direito". O detento também informou que quando for posto em liberdade deseja sair de Alagoas, por não querer "confusão" com ninguém.

No depoimento desta segunda, Cavalcante confirmou tudo o que já havia dito no anterior, ocorrido em 2008, e ratificou sua participação no assassinato do cabo Gonçalves – morto em 2006 numa emboscada no bairro da Serraria, em Maceió – além das participações dos deputados estaduais Antonio Albuquerque (PT do B), João Beltrão (PRTB) e do deputado federal Francisco Tenório (PMN) na autoria intelectual, informou o representante do Ministério Público (MP), Marcos Mousinho: “Ele confirmou tudo e ainda acrescentou a participação de mais dois militares, que salvo engano já estão aposentados, que estariam envolvidos na ‘logística’ do crime. Mas nós não vamos divulgar os nomes deles para não atrapalhar as investigações”, afirmou o promotor. Por terem foro privilegiado garantido pelo cargo de parlamentar nenhum dos deputados apontados foi ouvido nesta segunda.

Quando questionado por ter delatado os dois novos participantes só agora, e não no depoimento anterior, Cavalcante preferiu não tocar em detalhes, afirmando apenas que tudo tem a “hora certa” de acontecer. Indagado também se ele mesmo pediu para voltar a Alagoas – transferido do presídio Bangu 6, no Rio de Janeiro – o ex-militar confirmou a versão e disse que fez isso por ter sido consultado pelo Superior Tribunal Federal (STF) pela primeira vez: “Quando eu saí do meu Estado ninguém perguntou se era o que eu gostaria. Então, quando tive a chance de retornar para onde está a minha família eu decidi voltar”.

Ainda de acordo com o ex-coronel, a distância dos familiares durante todos esses anos fez com que ele entrasse numa espécie de processo de autodestruição, de forma que sua volta ao ‘convívio’ familiar, ainda que limitada, era indispensável: “Tudo o que eu quero a partir de agora é viver em paz. Eu tenho um débito grande com a população alagoana e com a minha família e pretendo me redimir. Se Deus está me mantendo vivo é porque é assim que tem que ser”.

O depoimento do ex-coronel Cavalcante foi dado ao juiz Mauricio Brêda, da 7ª Vara, e também para esta segunda estavam previstos os depoimentos de Valdomiro dos Santos, Daniel Luiz da Silva Sobrinho, José Luiz da Silva Filho, além do tenente Tavlanes Lins da Silva, Eufrázio Dantas e Jaime de Assis, todos acusados de envolvimento no mesmo crime, mas estes não depuseram porque Brêda teve de se ausentar para prestar prova em um concurso público e não houve tempo de conciliar as duas tarefas.

Os novos depoimentos dos acusados de envolvimento no crime serão tomados no dia 4 de janeiro de 2010. Também convocados, estão foragidos: Marcos Cavalcante (irmão do ex-coronel), Paulo Nei e Jair da Silva Santos.

A volta a Alagoas

O ex-coronel Cavalcante chegou na quarta-feira (9) da semana passada a Alagoas vindo do presídio Bangu 6 no Rio de Janeiro, protegido por um forte esquema de segurança que contou com a 'companhia' dos delegados Marcilio Barenco e José Edson. Desde então, ele está preso numa área reservada para ex-militares - Centro de Observação Criminológica (COC) - no presídio Baldomero Cavalcanti.

Bônus: Clique aqui e veja vídeo em que Cavalcante diz que ‘sonha’ apitar jogo no Estádio Rei Pelé e confessa o motivo de sua volta a Alagoas.

por Isolda Herculano

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